domingo, 23 de fevereiro de 2014

Um Pouco De História.

Motorocker, rock na veia e sangue nos olhos.


“Salve a malária!”. Qualquer fã de rock curitibano que se preze reconhece o refrão da canção da banda Motorocker. Após mais de 20 anos de estrada, o grupo tem conseguido se destacar no cenário nacional com uma bem sucedida turnê por todo o país e vem sendo apontado como uma das melhores bandas de rock and roll brasileiras, fato raríssimo para um artista de Curitiba.
A história
Motorocker surgiu no final dos anos 1980. No início, seu repertório era, essencialmente, cover. Em 1993 o grupo se tornou um Tributo à banda australiana AC/DC. Três anos depois, os irmãos Malcolm e Angus Young deram aos curitibanos o honroso título de “melhor cover do AC/DC no mundo”.
Após alguns registros fonográficos que não agradaram os integrantes, em 2006 eles finalmente gravaram o que consideram o seu primeiro álbum. “Foi tudo graças ao Luciano Haluch, um fã que, na época, tinha o selo Marhceco Records. Juntei músicas dos primórdios do Motorocker com outras mais recentes e gravamos o “Igreja Universal do Reino do Rock”, relembra o vocalista Marcelus.
Após esse debut oficial, com o reconhecimento do público e da mídia nacional aumentando, a banda partiu para a rotina vivenciada diariamente por qualquer artista em ascensão: fazer shows em todos os recantos do país. A turnê atual do grupo já passou por mais de 60 cidades, como Goiânia, Brasília e Joaçaba. Apesar de ser cansativa, a vida na estrada tem as suas compensações. “Receber um abraço e ouvir algumas palavras de um fã que está há mais de 2.000 quilômetros de sua cidade natal faz qualquer esforço valer a pena”, afirma.
O respeito dos fãs
O público curitibano, nem sempre receptivo com os artistas locais, acolheu o Motorocker de uma forma impressionante. “Receber o carinho e respeito das pessoas que reconhecem o seu trabalho é o melhor cachê que existe, seja em Curitiba ou fora dela. Nos sentimos muito valorizados, sim!”, diz o vocalista.
Aproximadamente 50 fãs, inclusive, fizeram tatuagens da logo do grupo em seus corpos. “O Motorocker está na alma, não só em minha tatuagem. A banda me trouxe grandes alegrias e amizades”, afirma Priscila Dienifer, fã do quinteto desde 2006.
Curitiba tem visto novas artistas surgirem a cada ano, em todos os estilos. Apesar disso, a dificuldade que eles encontram para conseguirem um maior destaque no cenário musical brasileiro é histórica. “A cena se tornou imensa, porém dispersa. A quantidade de bandas disparou! Claro que a qualidade dos trabalhos se tornará um divisor de águas entre elas, em um futuro breve, mas mesmo assim, o músico curitibano terá muitas adversidades a enfrentar”, analisa Marcelus.
Não é somente em sua terra natal que a banda é respeitada. Em uma votação popular realizada no ano passado por um site especializado em música, o grupo foi eleito, pela segunda vez, o melhor do rock nacional. Na categoria melhor vocalista, Marcelus conseguiu o segundo posto. “Temos os melhores fãs do mundo, e isso é nosso maior motivo de orgulho. Todos juntos formam um corpo vivo só, um exército rock and roll. Eles nos colocaram lá. Eles são nosso maior patrimônio”, agradece.
A discussão sobre a falta de apoio e de reconhecimento do público, em Curitiba, é um assunto polêmico. Viver de música, na cidade, envolve muitos riscos e obstáculos. “Tocar em uma banda não é pra qualquer um. Não sou melhor do que ninguém, não me interprete mal, digo isso porque estou nesse negócio há mais de 20 anos e já vi muitos abandonarem a estrada, mesmo quando estão ganhando grana e desfrutando de certos privilégios que esta vida nos dá”, afirma.
A estrutura da banda
Como uma grande parcela dos artistas nacionais, o Motorocker faz tudo de forma independente. A renda da banda vem da venda de produtos e CDs em shows por todo o país. “Nossas letras são um tanto subversivas, então isso dificulta um pouco as coisas. Se aparecer algum louco de um selo forte ou de uma gravadora nervosa, sentaremos para tomar uma e conversaremos sobre as possibilidades”, diz.
Entre os itens vendidos em suas turnês está a cerveja da banda, fabricada em uma cervejaria de Araucária pelo mestre cervejeiro Luciano Wenski. A ideia surgiu em 2011, após uma visita para conhecer o local. “Depois de termos tomado, cada um, uns cinco litros das cervejas mais deliciosas de nossas vidas, nossa produtora, que não tinha bebido, disse: Ei! Seria possível fazermos uma cerveja da banda? Escolhemos os aromas e os ingredientes e assim foi criada a Munich Dunkel Motorocker. Receita única e exclusiva”, explica Marcelus.
As conquistas
Expo Trade, 2011. Abrindo para a atração principal da noite, o lendário grupo inglês Iron Maiden, a banda curitibana fez 15.000 pessoas pularem e cantarem suas músicas. “O público esteve maravilhoso. Você abrir o show de um monstro sagrado do heavy metal e não ser, no mínimo, ignorado, é coisa rara. A equipe do Iron nos abraçou e elogiou muito nossa performance após o nosso show”, relembra.
A apresentação rendeu até uma nota no site do grupo inglês parabenizando os curitibanos. “O Motorocker abriu o show e foram realmente bem. Eles me lembraram muito do velho AC/DC e até fizeram um cover de ‘Let There Be Rock’. O público pareceu ter gostado muito. Uma banda espetacular ao vivo”, dizia o texto.
O grupo também participou de um CD Tributo ao Nazareth, organizado pelo guitarrista e fundador da banda escocesa, Manny Charlton. Com tantas conquistas, os planos da para 2013 incluem um novo trabalho. “Estamos esperando a captação de recursos do nosso projeto, que já foi aprovado, para finalizar o novo álbum”, revela.
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br

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